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Origem da Mitsubishi: quem fundou, quando surgiu e por quê?

19 de janeiro de 2026 por Thaís ReisConteúdo atualizado em 19 de janeiro de 2026 por Thaís Reis

Uma marca global com identidade consistente, que transforma engenharia industrial em tecnologia automotiva confiável até hoje.

A Mitsubishi é uma das marcas japonesas mais reconhecidas do mundo, especialmente no setor automotivo.

Sua origem, no entanto, vai muito além dos carros. A história do grupo começa no século XIX, em um Japão que passava por profundas transformações econômicas e sociais.

Entender como a Mitsubishi surgiu ajuda a compreender por que a marca construiu uma reputação associada a tecnologia, robustez e inovação.

Do Japão feudal à abertura para o mundo

A Mitsubishi foi fundada em 1870 por Yataro Iwasaki, um empresário japonês que enxergou oportunidades no transporte marítimo em um país que começava a se abrir ao comércio internacional.

O Japão vivia o período Meiji, marcado pelo fim do isolamento e por uma rápida modernização da economia.

A primeira empresa de Iwasaki atuava no setor de navegação e prestava serviços de transporte marítimo ao governo e a empresas privadas. Esse início foi decisivo para o crescimento do grupo, que logo investiu em outras áreas estratégicas da economia japonesa.

O significado do nome e do símbolo Mitsubishi

Em Mitsubishi, quase tudo começa pelo símbolo. O nome combina duas ideias do vocabulário e da tradição visual japonesa.

Mitsu significa três. Hishi designa a castanha d’água e, por extensão, o losango que lembra o contorno dessa planta, forma que a cultura japonesa também usa para representar um diamante no sentido geométrico.

Na pronúncia, a junção costuma transformar o som de h em b no meio da palavra, o que ajuda a explicar o som final de Mitsubishi.

O emblema dos três losangos, popularmente chamado de três diamantes, não nasceu como um desenho abstrato escolhido por estética. Ele deriva de um encontro de heráldica e história.

Fontes do próprio grupo explicam que o símbolo une referências de dois brasões: o da família Iwasaki, ligada ao fundador Yataro Iwasaki, com três losangos empilhados, e o do clã de Tosa, associado ao primeiro empregador de Iwasaki, com um motivo de três folhas.

A fusão desses elementos gerou a marca que o grupo adotou e preservou como assinatura visual ao longo de gerações.

Essa origem importa porque ajuda a entender por que o logotipo comunica tanto. O desenho é simples, altamente reconhecível e funciona em qualquer contexto, de navios a maquinário industrial e, depois, automóveis.

O grupo também define o símbolo como um selo de qualidade e confiabilidade, sustentado por padrões éticos e pelo cuidado no uso do emblema por suas empresas. Ou seja, a marca não atua só como identidade visual. Ela atua como um compromisso público com consistência e reputação.

Na prática, o símbolo virou um elo entre passado e presente. Ele preserva a memória de origem do grupo e, ao mesmo tempo, acompanha a Mitsubishi em setores que mudaram completamente desde 1870.

Essa continuidade, rara em marcas globais, reforça a ideia de tradição, disciplina industrial e atenção a longo prazo, características que o público costuma associar à Mitsubishi até hoje.

De conglomerado industrial à indústria automotiva

Ao longo das décadas, a Mitsubishi expandiu suas atividades para setores como mineração, bancos, energia, construção naval e indústria pesada. Essa diversificação transformou o grupo em um dos maiores conglomerados do Japão.

A entrada no setor automotivo aconteceu oficialmente em 1970, com a criação da Mitsubishi Motors. A experiência acumulada em engenharia, metalurgia e tecnologia industrial foi essencial para o desenvolvimento de veículos confiáveis e preparados para diferentes condições de uso.

A Mitsubishi iniciou suas operações no Brasil na década de 1990, com ênfase em veículos utilitários esportivos e picapes. A marca encontrou no mercado brasileiro um ambiente favorável para modelos robustos, adequados a estradas irregulares e longas distâncias.

A instalação de fábrica no país fortaleceu a presença da Mitsubishi, o que permitiu maior adequação dos veículos às necessidades locais e ampliando a confiança do consumidor brasileiro.

A Mitsubishi ficou conhecida por SUVs e picapes robustas

No imaginário do público, a Mitsubishi se associou a um tipo bem específico de carro: SUV e picape prontos para uso intenso.

A marca ganhou fama por veículos altos, resistentes e confiáveis, que encaram estrada ruim, terra, lama e longas viagens com segurança.

Esse posicionamento não surgiu por acaso. Ele vem de décadas de engenharia voltada a aplicação prática, com soluções que priorizam controle, tração e resistência mecânica.

A Mitsubishi se destaca principalmente por:

  • Tração 4×4 e sistemas de controle de tração, com tradição em versões voltadas ao fora de estrada
  • Projeto de suspensão e chassi pensado para suportar carga, impacto e uso severo
  • Conjunto mecânico reconhecido pela durabilidade, com foco em robustez no dia a dia
  • Herança do rally, que ajudou a reforçar a imagem de desempenho e confiabilidade em condições extremas

No Brasil, essa reputação se consolidou com nomes como Pajero e L200, além de SUVs familiares como Outlander, que agregam conforto e tecnologia sem perder a identidade de resistência que marcou a marca.

Mas um ponto aqui é essencial: a Mitsubishi sempre investiu fortemente em tecnologia. A marca se destacou no desenvolvimento de sistemas de tração integral, motores eficientes e soluções voltadas à durabilidade dos componentes.

Além disso, a atuação em competições como o Rally Dakar serviu como laboratório para testar e aprimorar tecnologias que depois chegaram aos modelos de produção. Esse histórico reforça a ligação entre desempenho extremo e confiabilidade no uso cotidiano.

Uma marca global com identidade forte e desempenho atual

Hoje, a Mitsubishi é muito mais do que sua origem no transporte marítimo do século XIX. A Mitsubishi Motors é uma empresa automobilística global com cerca de 28.000 funcionários e atuação em diversos mercados, principalmente no Japão, Sudeste Asiático e América Latina.

No Brasil a marca vem registrando crescimento consistente. Em 2024, foram emplacadas mais de 22.000 unidades, um aumento de cerca de 19% em relação ao ano anterior — desempenho acima da média do setor nacional.

Já em 2025 a linha de picapes e SUVs continuou impulsionando as vendas, com crescimento de quase 27% no primeiro semestre em comparação com o período anterior.

Globalmente, a Mitsubishi se reconhece por sua vantagem competitiva em SUVs, picapes e veículos híbridos plug-in, sendo pioneira em eletrificação com o i-MiEV, o primeiro veículo elétrico produzido em série no mundo, e com o Outlander PHEV, um dos primeiros SUV plug-in híbridos.

Essa presença diversificada, junto à engenharia robusta e tecnologia aplicada de maneira prática, reforça a identidade da marca.

Mesmo diante de um mercado automotivo altamente competitivo, a Mitsubishi preserva valores que surgiram com sua origem industrial: resistência, confiabilidade e adaptação tecnológica contínua.

Se você tiver interesse em entender como outra marca com história rica se posiciona no mercado global e traz inovação, confira nosso artigo sobre a Citroën e suas contribuições no universo automotivo.

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