O Brasil virou um país de SUVs e não foi por acaso
Os SUVs ganharam espaço porque unem posição de dirigir mais alta, bom espaço interno e pacote de tecnologia que virou critério de compra.
No Brasil dos últimos anos, poucos segmentos tiveram um crescimento tão claro e contínuo quanto o de veículos utilitários esportivos, os SUVs.
O que começou como tendência acabou consolidado como pilar da indústria automotiva nacional, redefiniu as preferências dos consumidores, as estratégias das montadoras e até a composição do portfólio de vendas das concessionárias.

Esse movimento não é casual. Ele é fruto de uma combinação de fatores econômicos, sociais e tecnológicos que transformaram o SUV de nicho em protagonista absoluto do mercado automotivo brasileiro.
Por que os brasileiros escolheram SUVs?
Os fatores que impulsionam essa preferência vão além da estética.
Entre os principais motivos:
Versatilidade sem abrir mão do conforto
Os SUVs conseguem aliar espaço interno generoso, boa visibilidade na direção e adaptabilidade a diferentes usos, do urbano ao rodoviário. Por isso, famílias e profissionais que buscam um veículo para múltiplas funções tendem a olhar para esse tipo de carro com mais interesse.
Percepção de segurança e presença
A posição de condução mais elevada e a sensação de robustez contribuem para que muitos motoristas vejam os SUVs como veículos mais seguros e confiáveis, mesmo que tecnicamente isso dependa de muitos outros fatores.


Adequação às condições diversas de tráfego e terreno
O Brasil é um país continental, com cidades densas e estradas variadas. A configuração dos SUVs, com suspensão mais elevada e torque adequado para diferentes terrenos, responde à necessidade de dirigibilidade em contextos heterogêneos.
Esses aspectos culturais e práticos se combinam com questões de imagem. O SUV também virou símbolo de status e progresso para muitos consumidores, refletindo aspirações sociais e econômicas em um país com fortes contrastes regionais.
Quais são os desafios e cenários de mercado?
Apesar dos muitos pontos positivos, o segmento também enfrenta entraves.
A infraestrutura urbana e rodoviária brasileira ainda apresenta desafios, especialmente em centros congestionados com vagas reduzidas e ruas estreitas, onde SUVs maiores podem ser menos práticos.
Além disso, o custo total de propriedade pode ser um fator limitante para famílias com orçamento mais apertado. Parte dessa equação tem sido mitigada por modelos compactos e subcompactos, que combinam muitos dos benefícios dos SUVs tradicionais com custos operacionais mais leves.
Outro tema crescente envolve a sustentabilidade e a transição energética. Embora o Brasil ainda esteja em fases iniciais na adoção em massa de veículos elétricos e híbridos, projeções mais amplas sugerem que esses segmentos deverão ganhar cada vez mais espaço no portfólio de SUVs.
Inclusive, estudos recentes indicam que, globalmente, a eletrificação de veículos pode se tornar dominante até a próxima década.


Segmentação e tendências de consumo
O mercado de SUVs no Brasil não é homogêneo.
Ele se desdobra em várias categorias:
SUVs compactos e subcompactos
São os mais vendidos e responsáveis por grande parte do volume de emplacamentos.
Sua popularidade se deve à combinação de preço acessível, versatilidade e economia de combustível, o que os torna ideais para o uso diário em áreas urbanas e rurais.
SUVs médios e grandes
Têm apelo principalmente entre famílias maiores e consumidores que buscam maior conforto e capacidade de carga. Esses modelos, embora mais caros, respondem à demanda por espaço e sofisticação.
Propulsões alternativas
A demanda por versões híbridas e elétricas de SUVs ainda é pequena no Brasil, mas cresce rapidamente. Incentivos fiscais, maior oferta de modelos e a conscientização ambiental dos consumidores começam a moldar esse segmento dentro do mercado SUV.
De acordo com o relatório “Brazil Sport Utility Vehicle (SUV) Market Overview, 2029“, disponível na Bonafide Research, destaca a segmentação por capacidade de assentos e fontes de propulsão: gasolina, diesel e eletricidade.
Fora isso, outros dados chamam atenção:
- O mercado brasileiro de SUVs deve crescer a uma taxa anual composta (CAGR) superior a 6% entre 2024 e 2029, sinalizando expansão sustentada em médio prazo.
- Esse crescimento é apoiado pela forte demanda por SUVs de baixo custo e com boa eficiência de combustível, que atraem consumidores preocupados com economia e desempenho.
- Os eventos setoriais, como o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, que ajudam a colocar novos modelos e tecnologias sob os holofotes, influenciando decisões de compra.


O papel da indústria e das montadoras
Para entender o mercado de SUVs no Brasil, é crucial olhar para as decisões estratégicas das montadoras.
As principais fabricantes investiram pesado em lotes maiores de produção local e em centros de distribuição especializados, refletindo a confiança no crescimento continuado desse segmento.
Algumas ações relevantes incluem:
- Lançamento de modelos específicos para o mercado nacional, que incorporam características desejadas pelo consumidor brasileiro, como eficiência de combustível e tecnologia embarcada.
- Adoção de plataformas flex, que permitem versões híbridas ou com combustível tradicional, ampliando a atratividade para públicos distintos.
Além disso, a digitalização do processo de compra tem mudado a forma como os brasileiros se relacionam com a aquisição de SUVs.
O roteiro clássico de visita física às concessionárias está cada vez mais suplementado, e às vezes até substituído, por experiências digitais.


O SUV como novo eixo do mercado automotivo brasileiro
O mercado de SUVs no Brasil representa hoje um capítulo determinante da indústria automotiva nacional.
A preferência dos consumidores, combinada com estratégias industriais, fez dos SUVs um segmento não só dominante, mas evolutivo.
Fatores como versatilidade, tecnologia, percepção de valor e adaptação às condições locais mostram por que os SUVs ganharam tanta relevância no Brasil e como esse tipo de carro virou referência de escolha para diferentes perfis de consumidor.
