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O Brasil virou um país de SUVs e não foi por acaso

15 de janeiro de 2026 por Thaís ReisConteúdo atualizado em 15 de janeiro de 2026 por Thaís Reis

Os SUVs ganharam espaço porque unem posição de dirigir mais alta, bom espaço interno e pacote de tecnologia que virou critério de compra.

No Brasil dos últimos anos, poucos segmentos tiveram um crescimento tão claro e contínuo quanto o de veículos utilitários esportivos, os SUVs.

O que começou como tendência acabou consolidado como pilar da indústria automotiva nacional, redefiniu as preferências dos consumidores, as estratégias das montadoras e até a composição do portfólio de vendas das concessionárias.

Esse movimento não é casual. Ele é fruto de uma combinação de fatores econômicos, sociais e tecnológicos que transformaram o SUV de nicho em protagonista absoluto do mercado automotivo brasileiro.

Por que os brasileiros escolheram SUVs?

Os fatores que impulsionam essa preferência vão além da estética.

Entre os principais motivos:

Versatilidade sem abrir mão do conforto

Os SUVs conseguem aliar espaço interno generoso, boa visibilidade na direção e adaptabilidade a diferentes usos, do urbano ao rodoviário. Por isso, famílias e profissionais que buscam um veículo para múltiplas funções tendem a olhar para esse tipo de carro com mais interesse.

Percepção de segurança e presença

A posição de condução mais elevada e a sensação de robustez contribuem para que muitos motoristas vejam os SUVs como veículos mais seguros e confiáveis, mesmo que tecnicamente isso dependa de muitos outros fatores.

Volkswagen Taos cinza estacionado em um ambiente com bastante terra, evidenciando o estilo robusto do SUV.

Adequação às condições diversas de tráfego e terreno

O Brasil é um país continental, com cidades densas e estradas variadas. A configuração dos SUVs, com suspensão mais elevada e torque adequado para diferentes terrenos, responde à necessidade de dirigibilidade em contextos heterogêneos.

Esses aspectos culturais e práticos se combinam com questões de imagem. O SUV também virou símbolo de status e progresso para muitos consumidores, refletindo aspirações sociais e econômicas em um país com fortes contrastes regionais.

Quais são os desafios e cenários de mercado?

Apesar dos muitos pontos positivos, o segmento também enfrenta entraves.

A infraestrutura urbana e rodoviária brasileira ainda apresenta desafios, especialmente em centros congestionados com vagas reduzidas e ruas estreitas, onde SUVs maiores podem ser menos práticos.

Além disso, o custo total de propriedade pode ser um fator limitante para famílias com orçamento mais apertado. Parte dessa equação tem sido mitigada por modelos compactos e subcompactos, que combinam muitos dos benefícios dos SUVs tradicionais com custos operacionais mais leves.

Outro tema crescente envolve a sustentabilidade e a transição energética. Embora o Brasil ainda esteja em fases iniciais na adoção em massa de veículos elétricos e híbridos, projeções mais amplas sugerem que esses segmentos deverão ganhar cada vez mais espaço no portfólio de SUVs.

Inclusive, estudos recentes indicam que, globalmente, a eletrificação de veículos pode se tornar dominante até a próxima década.

Segmentação e tendências de consumo

O mercado de SUVs no Brasil não é homogêneo.

Ele se desdobra em várias categorias:

SUVs compactos e subcompactos

São os mais vendidos e responsáveis por grande parte do volume de emplacamentos.

Sua popularidade se deve à combinação de preço acessível, versatilidade e economia de combustível, o que os torna ideais para o uso diário em áreas urbanas e rurais.

SUVs médios e grandes

Têm apelo principalmente entre famílias maiores e consumidores que buscam maior conforto e capacidade de carga. Esses modelos, embora mais caros, respondem à demanda por espaço e sofisticação.

Propulsões alternativas

A demanda por versões híbridas e elétricas de SUVs ainda é pequena no Brasil, mas cresce rapidamente. Incentivos fiscais, maior oferta de modelos e a conscientização ambiental dos consumidores começam a moldar esse segmento dentro do mercado SUV.

De acordo com o relatório “Brazil Sport Utility Vehicle (SUV) Market Overview, 2029“, disponível na Bonafide Research, destaca a segmentação por capacidade de assentos e fontes de propulsão: gasolina, diesel e eletricidade.

Fora isso, outros dados chamam atenção:

  • O mercado brasileiro de SUVs deve crescer a uma taxa anual composta (CAGR) superior a 6% entre 2024 e 2029, sinalizando expansão sustentada em médio prazo.
  • Esse crescimento é apoiado pela forte demanda por SUVs de baixo custo e com boa eficiência de combustível, que atraem consumidores preocupados com economia e desempenho.
  • Os eventos setoriais, como o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, que ajudam a colocar novos modelos e tecnologias sob os holofotes, influenciando decisões de compra.

Nissan Kicks vermelho em movimento, com motorista de óculos escuros visível ao volante.

O papel da indústria e das montadoras

Para entender o mercado de SUVs no Brasil, é crucial olhar para as decisões estratégicas das montadoras.

As principais fabricantes investiram pesado em lotes maiores de produção local e em centros de distribuição especializados, refletindo a confiança no crescimento continuado desse segmento.

Algumas ações relevantes incluem:

  • Lançamento de modelos específicos para o mercado nacional, que incorporam características desejadas pelo consumidor brasileiro, como eficiência de combustível e tecnologia embarcada.
  • Adoção de plataformas flex, que permitem versões híbridas ou com combustível tradicional, ampliando a atratividade para públicos distintos.

Além disso, a digitalização do processo de compra tem mudado a forma como os brasileiros se relacionam com a aquisição de SUVs.

O roteiro clássico de visita física às concessionárias está cada vez mais suplementado, e às vezes até substituído, por experiências digitais.

Jeep Renegade em movimento levantando poeira, rodeado por árvores em um cenário natural e bonito.

O SUV como novo eixo do mercado automotivo brasileiro

O mercado de SUVs no Brasil representa hoje um capítulo determinante da indústria automotiva nacional.

A preferência dos consumidores, combinada com estratégias industriais, fez dos SUVs um segmento não só dominante, mas evolutivo.

Fatores como versatilidade, tecnologia, percepção de valor e adaptação às condições locais mostram por que os SUVs ganharam tanta relevância no Brasil e como esse tipo de carro virou referência de escolha para diferentes perfis de consumidor.

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