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Carros elétricos poderão recarregar em movimento? Honda testa nova tecnologia

9 de outubro de 2026 por Thaís ReisConteúdo atualizado em 9 de outubro de 2026 por Thaís Reis

Sem cabos ou paradas para recarga, a tecnologia da Honda promete transformar a mobilidade elétrica. Os próximos testes acontecem em 2027.

A Honda apresentou uma tecnologia que permite recarregar carros elétricos enquanto eles circulam pela estrada, sem cabos ou paradas em estações de carregamento. O sistema utiliza indução eletromagnética para transferir energia de módulos instalados sob o asfalto diretamente para os veículos.

A novidade já passou por testes iniciais em pistas experimentais e agora se prepara para uma nova etapa. Em parceria com as japonesas Taisei Corporation e Taisei Rotec, a Honda prevê testes em condições reais de circulação a partir de abril de 2027, no Japão, com um sistema capaz de fornecer até 150 kW de potência.

Como funciona a estrada que recarrega carros elétricos?

A tecnologia da Honda utiliza um sistema chamado D-WPT (Dynamic Wireless Power Transfer), ou transferência dinâmica de energia sem fio. O princípio é semelhante ao dos carregadores por indução utilizados em smartphones, mas com uma diferença importante: a transmissão acontece enquanto o veículo está em movimento.

Para isso, módulos instalados sob o asfalto criam um campo magnético capaz de transferir eletricidade para um receptor posicionado na parte inferior do automóvel. Essa energia chega ao sistema elétrico do veículo e pode ser utilizada para alimentar o motor ou recarregar a bateria.

Um dos diferenciais do projeto está na estrutura dos equipamentos. A Honda reuniu a bobina responsável pela transmissão e o inversor de energia em uma única unidade, chamada Ground Assembly (GA). Essa configuração reduz a quantidade de componentes e conexões subterrâneas necessárias.

Já o veículo recebe um dispositivo chamado Vehicle Assembly (VA), responsável por captar a eletricidade durante a passagem pelos trechos equipados.

Na prática, a estrada passa a funcionar como uma sequência de pontos de recarga. Cada módulo fornece energia durante um intervalo muito curto, mas a transferência contínua ao longo do percurso pode contribuir para aumentar a carga disponível na bateria.

Qual é a potência de recarga da tecnologia da Honda?

O sistema tem como meta atingir até 150 kW de potência, valor comparável ao de muitos carregadores rápidos de corrente contínua disponíveis atualmente.

O aspecto mais interessante está na velocidade de resposta. Segundo os dados divulgados sobre o projeto, a tecnologia pode alcançar uma potência próxima de 150 kW em aproximadamente 1,5 milissegundo após a aproximação do veículo.

Essa rapidez é fundamental porque o automóvel permanece sobre cada módulo por uma fração de segundo. A 80 km/h, por exemplo, o tempo de passagem sobre uma unidade é de aproximadamente 36 milissegundos.

Para aproveitar esse intervalo, o sistema utiliza capacitores, componentes capazes de armazenar e liberar energia rapidamente. Isso significa que o carro poderia recuperar toda a bateria durante uma viagem? Ainda não.

A quantidade de eletricidade recebida depende de fatores como velocidade, consumo do veículo, eficiência da transferência e extensão dos trechos equipados.

A Honda ainda não divulgou uma estimativa de quantos quilômetros de autonomia poderiam ser recuperados em uma rodovia com essa infraestrutura.

Entretanto, os ensaios iniciais indicaram que, durante a passagem pela área eletrificada, a energia recebida por automóveis pode superar a quantidade necessária para mantê-los em movimento.

Quando começam os testes da Honda em estradas?

A próxima etapa do projeto está prevista para 2027, mas a tecnologia já passou por avaliações em ambientes controlados.

Até março de 2027, as empresas pretendem instalar os equipamentos em um trecho de 40 metros de uma pista experimental de 900 metros, localizada em Fukushima, no Japão.

O espaço permitirá analisar a transmissão de energia, a resistência dos componentes e o comportamento do pavimento após a passagem repetida de veículos.

A partir de abril de 2027, a Honda e suas parceiras planejam participar de testes em condições reais na Tateyama Expressway, rodovia localizada na província de Chiba, próxima à região metropolitana de Tóquio.

Uma das prioridades será verificar a durabilidade da estrutura. Afinal, os equipamentos precisam funcionar sob o asfalto e suportar a circulação constante de automóveis e caminhões.

Os primeiros ensaios já avaliaram a resistência à passagem de veículos pesados de aproximadamente 20 toneladas. Na próxima fase, estão previstas verificações com cargas ainda maiores, equivalentes às de caminhões da classe de 40 toneladas.

O que falta para essa tecnologia chegar às estradas?

A Honda ainda não anunciou uma data para a implantação comercial do sistema. Antes disso, será necessário comprovar sua eficiência, durabilidade e viabilidade econômica em condições reais.

Um dos pontos centrais é a adaptação da infraestrutura rodoviária. A instalação exige intervenções no pavimento, integração à rede elétrica e equipamentos capazes de resistir ao tráfego intenso por longos períodos.

A Taisei Rotec, parceira do projeto, também estuda métodos para incorporar os módulos às estradas existentes. Uma das técnicas experimentais prevê a remoção de camadas do asfalto, a instalação das unidades de transmissão e a recomposição do pavimento.

Outro aspecto importante é a compatibilidade entre veículos de diferentes fabricantes. Para que a recarga dinâmica alcance uma escala maior, será necessário estabelecer padrões técnicos que permitam o uso da infraestrutura por diferentes modelos.

O futuro dos carros elétricos pode passar pelas estradas inteligentes

A iniciativa da Honda mostra como a evolução dos veículos elétricos vai além das baterias e dos motores. A própria infraestrutura de transporte começa a fazer parte dessa transformação, com soluções capazes de conectar veículos, energia e mobilidade.

Ainda há etapas importantes até que a recarga em movimento se torne uma realidade comercial. Mesmo assim, os testes previstos para 2027 podem ajudar a definir novos caminhos para a eletrificação do transporte.

Muito interessante, não é? 🙂

E enquanto essas tecnologias avançam, o mercado automotivo já oferece diferentes alternativas para quem deseja conhecer os benefícios da eletrificação.

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