ADAS 2.0 e 3.0: entenda as diferenças entre os níveis de automação
Direção, aceleração e frenagem já são controladas pelo nível 2, mas o nível 3 avança ao assumir parte da responsabilidade pela condução.
Termos como ADAS 2.0 e ADAS 3.0 aparecem cada vez mais nas discussões sobre segurança e automação veicular.
Embora sejam amplamente utilizados pelo mercado, a classificação oficial segue os níveis de automação definidos pela SAE International.
É nessa escala que estão as principais diferenças entre os sistemas de assistência disponíveis atualmente e as tecnologias que representam os próximos avanços da condução automatizada.
O que é ADAS?
ADAS é a sigla para Advanced Driver Assistance Systems, ou Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor. O objetivo desses recursos é ampliar a segurança e reduzir a carga de trabalho do motorista por meio do monitoramento constante do ambiente ao redor do veículo.
Para isso, os sistemas utilizam uma combinação de câmeras, radares, sensores ultrassônicos e softwares capazes de interpretar informações da via em tempo real.
A partir dessa leitura, o carro consegue identificar obstáculos, reconhecer faixas de rolamento, calcular distâncias em relação a outros veículos e executar determinadas ações automaticamente quando necessário.
O que caracteriza um sistema de nível 2?
Segundo a classificação da SAE, o nível 2 corresponde à automação parcial da condução. Nessa categoria, o veículo é capaz de controlar simultaneamente aceleração, frenagem e direção, mas a supervisão do ambiente permanece sob responsabilidade do motorista.
Na prática, o sistema pode executar funções como:
- Controle longitudinal, responsável por acelerar e frear automaticamente;
- Controle lateral, que mantém o veículo centralizado na faixa;
- Ajuste contínuo da distância em relação aos demais veículos;
- Assistência à condução em rodovias e congestionamentos.
Apesar dessas capacidades, o sistema não realiza o monitoramento completo do ambiente de tráfego. A identificação de situações complexas, a interpretação do contexto da via e a tomada de decisão continuam dependendo da atenção do condutor.
Por esse motivo, os veículos de nível 2 exigem supervisão constante e podem solicitar intervenção imediata sempre que os limites operacionais do sistema forem atingidos.
Por que o nível 3 representa um salto tecnológico?
O nível 3 corresponde à automação condicional da condução. Diferentemente do nível 2, o sistema passa a assumir não apenas o controle longitudinal e lateral do veículo, mas também o monitoramento do ambiente dentro de condições operacionais específicas.
As principais características desse nível são:
- Controle automático de aceleração, frenagem e direção;
- Monitoramento contínuo do ambiente de tráfego;
- Capacidade de identificar eventos relevantes para a condução;
- Tomada de decisão dentro de cenários previamente definidos;
- Solicitação de retomada do controle quando necessário.
A principal mudança em relação ao nível 2 está na responsabilidade pela observação da via. Enquanto os sistemas de automação parcial exigem supervisão permanente do motorista, o nível 3 permite que o veículo assuma temporariamente essa tarefa durante a operação automatizada.
Isso significa que o condutor não precisa monitorar constantemente o trânsito enquanto o sistema estiver ativo dentro das condições para as quais foi projetado. No entanto, ele deve permanecer apto a reassumir a condução sempre que solicitado.
Para atingir esse nível de automação, os veículos dependem de arquiteturas mais complexas, com sensores redundantes, maior capacidade de processamento e sistemas de segurança capazes de garantir a operação mesmo diante de falhas em componentes críticos.
Qual nível de ADAS é mais comum no Brasil?
O mercado brasileiro é amplamente dominado por sistemas classificados como nível 2 de automação. Nessa configuração, o veículo pode executar tarefas de controle longitudinal e lateral, mas a responsabilidade pela supervisão do ambiente permanece com o condutor.
A adoção de sistemas de nível 3 ainda é limitada por fatores que vão além da tecnologia embarcada. Esse estágio de automação exige sensores redundantes, maior capacidade de processamento, requisitos avançados de segurança funcional e um arcabouço regulatório capaz de definir responsabilidades durante a operação automatizada.
Como resultado, os modelos disponíveis no Brasil concentram seus recursos em funções de assistência à condução, sem atingir o nível de automação condicional que caracteriza os sistemas SAE Nível 3.
Quer entender melhor como sensores, softwares e sistemas eletrônicos influenciam o funcionamento dos veículos modernos? Confira também o artigo Sensores, software e elétrica: por que o Start Stop falha?
Perguntas frequentes
ADAS 3.0 é a mesma coisa que carro autônomo?
Não. Os sistemas associados ao nível 3 de automação permitem que o veículo assuma determinadas tarefas de condução e monitore o ambiente em condições específicas.
No entanto, o motorista ainda precisa estar apto a retomar o controle quando solicitado. A condução totalmente autônoma está associada aos níveis mais avançados da escala SAE.
Existe algum carro com ADAS 3.0 no Brasil?
Atualmente, os veículos comercializados no Brasil operam majoritariamente dentro dos parâmetros do nível 2 de automação.
Embora alguns modelos ofereçam recursos avançados de assistência à condução, os sistemas de nível 3 ainda possuem adoção limitada e dependem de requisitos regulatórios e técnicos específicos.
Qual é a principal diferença entre ADAS 2.0 e ADAS 3.0?
A principal diferença está na responsabilidade pelo monitoramento do ambiente. Nos sistemas de nível 2, o motorista deve supervisionar constantemente a via, mesmo quando o veículo controla aceleração, frenagem e direção.
Já no nível 3, o próprio sistema passa a monitorar o ambiente durante a operação automatizada, dentro das condições para as quais foi projetado.